quinta-feira, 14 de maio de 2009

A droga e os seus estigmas

Ela tinha apenas sete anos, mas por um deslize parte de sua infância e adolescência se perderam entre mentiras e tristezas

A ingenuidade da criança e a admiração por uma prima mais velha. Não são muitos, mas esses motivos foram os que bastaram para que Jaqueline (nome fictício) aos sete anos, se enveredasse pelo caminho das drogas. A influencia veio da prima mais velha, que estava entrando na adolescência, e com seu jeito revoltado de ser, vestindo calças rasgadas e fazendo uso de cigarro e álcool encantaram a menina.

Não demorou muito para que Jaqueline usasse pela primeira vez a maconha, tinha nove anos. “No começo eu tinha medo, mas eu me sentia perdida no meio da galera, porque é diferente ficar bêbado e ficar chapado e eu não queria ser diferente”. Foi nessa época que Jaqueline iniciou um namoro com um menino que era usuário regular de maconha e álcool e a partir daí seus dias se resumiam em beber e fumar maconha. “Eu nem gostava tanto assim, mas para acompanhá-lo e impor moral eu usava”. Mas sua história estava apenas começando. Iniciou-se a partir daí a vontade de experimentar drogas novas e ela começou a cheirar thinner e cola, inclusive dentro da escola, o que ocasionou sua expulsão. Matriculada então em outra escola, esta por sua vez mais liberal, Jaqueline desvirtuou de vez, fumava e se drogava dentro da escola, vendia drogas na sala de aula e isso a garantia um respeito pelos outros alunos até que foi descoberta e seus pais foram chamados pela diretora. Até aí a sua família acreditava que ela só fazia uso do cigarro.

Por intermédio de um vizinho, conheceu a cocaína, e aí sua vida desandou de vez. Depois da cocaína, veio o êxtase e o Cabral (mistura do crack com maconha).
“Ali começou minha decadência”.
Jaqueline começou a roubar para sustentar o vício, vendia as coisas de dentro de casa e até a própria roupa para poder saciar sua necessidade da droga.
Devido a uma briga com a família, Jaqueline fugiu de casa. Ela já havia fugido várias vezes, mas sua mãe sempre ia atrás a trazia a menina novamente, da última vez foi diferente. A menina era menor de idade e sua família avisou parentes e amigos que não a recolhessem, seus amigos também fizeram a mesma coisa, não por pedido da mãe mas pelo medo da menina ser menor de idade e pelo fato de seu pai ser policial.

Sete dias na rua, dormindo no chão gelado, sem tomar banho, comendo resto de comida dos restaurantes e dividindo espaço com bêbados na Praça Rui Barbosa. Jaqueline define aqueles sete dias como os piores de sua vida, mas o vício ainda falava mais alto. Até que uma tarde, sem fazer nada, deitada na praça ela viu uma menina com a mesma idade que a sua aparentemente caminhando de mãos dadas com o pai. Ao passar por Jaqueline, a menina olhou fundo em seus olhos, virou para o pai e disse que o amava. Aquilo tocou Jaqueline, que parou para pensar há quanto tempo não dizia ao pai que o amava e foi pensando nisso que decidiu voltar para casa. Não sabia se sua mãe a aceitaria novamente, na verdade tinha quase certeza que não, mas ela já não tinha muito a perder e seguiu em frente.

Chegou em casa e tocou o interfone, quem atendeu foi sua irmã que ao vê-la gritou para mãe que a recolheu de braços abertos. Porém com uma condição. Só voltaria para casa se realmente aceitasse ajuda, e não foi diferente.
Hoje com 16 anos, Jaqueline está a um ano e oito meses sem usar nenhum tipo de droga. Ela participa do grupo de auto-ajuda do Narcóticos Anônimos e sua história serve de exemplo para muitos adolescentes como ela que precisam de ajuda para se recuperar.
Como mensagem Jaqueline diz às pessoas que como ela entram nesse mundo por embalo acreditando que no começo tudo é uma maravilha, que só quem passou pelo que ela passou sabe o que a droga realmente é. “Acho que a primeira coisa que devemos ter na vida é amor por ela mesmo e usando drogas esse amor é perdido junto com os sonhos que ela destrói”.

2 comentários:

Wanessa Franco Johnson disse...

É uma grande história, oro para que todos que estão na mesma situação que ela, tenham a oportunidade(e se agarrem nessa oportunidade) de se regenerar...

Neia disse...

Olá...que triste essa história, mas que bom que terminou bem...como disse a Wanessa temos que orar muito mesmo para nossas crianças e adolecentes que estão se perdendo nas drogas,e pricipalmente para os pais delas que deem mais carinho e dedicação para seus filhos, pois o que ta faltando nas famílias é amor, oração...parabéns Felipe como sempre escreveno muito bem...bjs.