Atllético-PR negocia extensão do prazo com a Fifa. Confira entrevista
Felipe Rosa
Se depender do Atlético-PR, as obras da Arena da Baixada para a Copa 2014 começam apenas em 2011. “A primeira proposta do clube é começar ano que vem. A segunda é começar depois da Copa de 2010”, afirma Reginaldo Cordeiro, presidente da comissão de vistorias da Federação Paranaense de Futebol.
O prazo da Fifa para o início das intervenções esgotou nesta segunda, 1º de março. No mesmo dia, o presidente do Comitê Organizador Local da Copa (COL), Ricardo Teixeira, cobrou explicação das cidades-sede pelo atraso e ampliou a data-limite para 5 de maio. Pelas declarações de Cordeiro, Curitiba também ultrapassará o início do novo cronograma.
O Atlético-PR luta para que a prefeitura ou o governo estadual participam das obras da Arena. “O município e o estado não podem investir dinheiro público numa obra privada”, afirma Cordeiro. “O Atlético imagina que a Copa beneficiará apenas Curitiba e o Paraná”, concluiu. A seguir, confira trechos da entrevista.
A Fifa deu alguma flexibilidade para a construção da Arena?
Bem, a construção está muito avançada. Não vamos dizer que temos 75%, mas como há chances de um edifício ser construído no local do colégio Expoente, isso vai gerar um volume de obra grande e também financeiro. Esse prédio seria uma torre de três pavimentos. No térreo e no primeiro andar seriam estacionamentos. No segundo, uma área para a imprensa fazer reportagens ao vivo e comentários após o jogo.
Mas a Fifa foi clara quando estabeleceu a data-limite.
A Fifa parte do princípio de que os estádios não tenham nada pronto, por isso as obras deveriam começar em 1º de março. Como na Arena as obras já iniciaram, acredita-se que essa data seja para os outros estádios. Na Arena, as obras poderiam começar depois da Copa da África. Existe uma proposta para isso, mas ainda não foi batido o martelo. A primeira proposta do Atlético-PR é começar ano que vem, a segunda é começar depois da Copa de 2010. Então a Fifa já está notificada para dar esse feedback e acredito que agora em março já teremos uma resposta.
Estima-se que a reforma na Arena custará R$ 130 milhões. Porém, o Atlético-PR disse que só investirá R$ 30 milhões. O município e o estado assumirão o restante?
Pelo que eu soube, as obras de infraestrutura urbana serão financiadas pelo município. Mas as obras especificamente da Arena o Atlético terá que arcar. O município e o estado não podem investir dinheiro público numa obra privada. Mas é evidente que existem algumas obras complementares, provisórias, que podem ser bancadas pelo município e depois retiradas, como coberturas metálicas, tendas, pode ser que tenha contribuição.
Existe um formato ideal para financiar as obras?
Eu acho que pode existir ali um pool de patrocinadores. Seja da rede hoteleira, da rede urbana de transporte, da rede aérea... Todos vão ganhar. A imagem da Arena depois da Copa da África vai chamar a atenção de muitos curiosos. Muitas empresas internacionais podem querer investir. Como aconteceu com a Kyocera, podem vir outros que coloquem verba e fiquem por mais tempo. Acho que essa é a grande expectativa para todos os estádios.
O vice-presidente do Atlético, Ênio Forneia, reclamou que a prefeitura e o estado não estão ajudando na reforma do estádio.
O Atlético imagina que a Copa beneficiará apenas Curitiba e o Paraná. Mas não é assim. Como disse anteriormente, o clube pode ganhar um possível patrocinador-âncora, que pode ajudar a concluir a Arena em troca de uso de imagem. Mas é claro, cada um tenta puxar para o seu lado e quanto mais eles conseguirem do município e do estado menos eles terão que investir. Eu acho que eles só vão conseguir enxergar isso depois da Copa de 2010, porque então os olhos do mundo se voltarão pra cá.
Houve mudanças no projeto?
O clube está negociando com a Fifa a manutenção da cobertura atual. A Fifa não exige que 100% dos lugares sejam cobertos, mas ao menos a área vip e os camarotes. Neste caso, a cobertura atual atenderia às exigências. Fora isso, toda aquela estrutura de vestiários construída sob o novo anel (inaugurado em 2009) só depende da aprovação da Fifa, e já tem o Ok de um consultor da entidade. Mas ainda não está carimbado. Existem algumas saídas de emergência que serão alteradas, pois há uma norma que exige a evacuação do estádio em até oito minutos, condição que a Arena não atende hoje.
O entorno sofreu grandes modificações?
A área na praça Afonso Botelho, onde seria instalada uma edificação de 10 mil m2 para hospitalidade de patrocinadores e autoridades, não é mais vista com tanta necessidade. Eles colocarão essas instalações na parte nova da Arena. A praça ficaria para credenciamento da imprensa, de patrocinadores e para a recepção de torcedores que tenham problemas com ingressos, avarias ou com dificuldade de identificação. Também estão previstas algumas lanchonetes e quiosques.
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Texto originalmente publicado no portal
http://www.copa2014.org.br/ em 22/02/2010
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Esporte de rico?
Modernização do futebol é inevitável, mas pode levar à elitização
Felipe Rosa
Não é de hoje que o futebol deixou de ser apenas um divertimento de final de semana e passou a ser um espetáculo sofisticado e envolto em grandes interesses comerciais, com estádios cada vez mais requintados e elitizados. Assim, a transformação das arenas é uma realidade mundial que inevitavelmente chegaria ao Brasil, e a vinda da Copa do Mundo para o país em 2014 é a ferramenta que faltava para acelerar esse processo.
Processo caro, diga-se, e que precisa ser autossuficiente para evoluir financeiramente e permitir a sobrevivência dos clubes e campeonatos. “Uma Copa do Mundo não se faz somente com paixão, com manifestações meramente populistas", alerta Nélson José Ribeiro, economista paranaense. "Requer planejamento, modernização dos estádios e da infraestrutura. Por isso o produto precisa ser vendido considerando o valor que representa.”
O futebol tornou-se um negócio lucrativo, tanto nos valores de negociação dos atletas e na arrecadação dos jogos, como na publicidade com os patrocinadores e também na alta rentabilidade obtida pela transmissão dos jogos na televisão. De acordo com o pesquisador Luiz Carlos Ribeiro, coordenador do Núcleo de Estudos Futebol e Sociedade da Universidade Federal do Paraná, “o futebol enquanto produto de mercado de alto valor não se destina apenas a torcedores apaixonados, mas a consumidores”. E tudo isso tem um custo financeiro, que é transferido para o usuário desse bem (ou serviço), o torcedor.
Segundo Paulo Verardi, diretor de marketing do Clube Atlético Paranaense (CAP), cujo estádio, a Arena da Baixada, foi escolhido para os jogos da Copa em Curitiba, a saúde financeira dos clubes e entidades é uma exigência do torcedor. “Cabe aos grandes clubes viabilizar permanentemente acessibilidade e interatividade com sua torcida, com o claro objetivo de penetração, fidelização e, por conseguinte, valorização da marca do clube”,
Elitização?
Essa visão empresariada do futebol foi alvo de debates no 2º fórum Time de Arquitetos da Copa, realizado em 2009, em Salvador. No encontro, um dos arquitetos defendeu a visão de que o futebol brasileiro deverá passar por um processo de elitização, com ingressos cada vez mais caros e instalações progressivamente mais sofisticadas, como ocorre na Europa. "O torcedor de baixa renda vai assistir aos jogos pela televisão", sentenciou.
Seguiram-se minutos e minutos de debates sobre o papel do futebol entre as classes de baixa renda e seu direito de participar diretamente do espetáculo, ao vivo. Por fim, concluiu-se que sempre deverá haver uma parte da arquibancada com ingressos mais baratos, destinados ao público de menor renda.
“Ainda não é possível avaliar se a modernização dos estádios irá excluir ou não determinado público. Porém, no futebol, também é necessária e mandatória a recuperação do investimento, como ocorre em qualquer atividade ou segmento, e isso exigirá esforços econômicos maiores ou menores, dependendo do poder aquisitivo do cliente/torcedor”, afirma Verardi.
O Atlético possui 24 mil sócios ativos, que geram R$ 20 milhões anuais. O diretor de marketing ressalta que a próxima etapa a ser atingida é a busca de novas modalidades de associação ou interação com o clube.
O economista Nelson Ribeiro ressalta que essa nova realidade é percebida em grandes clubes da Europa e que, nas Américas, isso fica mais evidente em dois clubes, o River Plate, de Buenos Aires, e o Internacional de Porto Alegre. O time gaúcho ostenta o maior número de associados da América e está entre os dez maiores do mundo.
“Os mais de 103 mil sócios estão recebendo toda espécie de informação sobre o clube, uma demonstração de transparência nas negociações, e participam de promoções e eventos semanais, visitas ao clube, viagens com atletas e conversas com os dirigentes”, diz Ribeiro.
Mesmo adequando-se às inovações, o futebol brasileiro ainda está aquém das principais potências europeias. O Brasil é uma fábrica de talentos, que são negociados com valores cada vez mais altos para clubes com maior poder econômico. São estruturas já consolidadas com quadros associativos completos, jogos vendidos para vários países e contratos vantajosos para os jogadores. “Somente com adequação econômica o futebol brasileiro poderá começar a pensar em competir com esse mercado”, diz Ribeiro.
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Texto originalmente publicado no portal
http://www.copa2014.org.br/ em 18/02/2010
Felipe Rosa
Não é de hoje que o futebol deixou de ser apenas um divertimento de final de semana e passou a ser um espetáculo sofisticado e envolto em grandes interesses comerciais, com estádios cada vez mais requintados e elitizados. Assim, a transformação das arenas é uma realidade mundial que inevitavelmente chegaria ao Brasil, e a vinda da Copa do Mundo para o país em 2014 é a ferramenta que faltava para acelerar esse processo.
Processo caro, diga-se, e que precisa ser autossuficiente para evoluir financeiramente e permitir a sobrevivência dos clubes e campeonatos. “Uma Copa do Mundo não se faz somente com paixão, com manifestações meramente populistas", alerta Nélson José Ribeiro, economista paranaense. "Requer planejamento, modernização dos estádios e da infraestrutura. Por isso o produto precisa ser vendido considerando o valor que representa.”
O futebol tornou-se um negócio lucrativo, tanto nos valores de negociação dos atletas e na arrecadação dos jogos, como na publicidade com os patrocinadores e também na alta rentabilidade obtida pela transmissão dos jogos na televisão. De acordo com o pesquisador Luiz Carlos Ribeiro, coordenador do Núcleo de Estudos Futebol e Sociedade da Universidade Federal do Paraná, “o futebol enquanto produto de mercado de alto valor não se destina apenas a torcedores apaixonados, mas a consumidores”. E tudo isso tem um custo financeiro, que é transferido para o usuário desse bem (ou serviço), o torcedor.
Segundo Paulo Verardi, diretor de marketing do Clube Atlético Paranaense (CAP), cujo estádio, a Arena da Baixada, foi escolhido para os jogos da Copa em Curitiba, a saúde financeira dos clubes e entidades é uma exigência do torcedor. “Cabe aos grandes clubes viabilizar permanentemente acessibilidade e interatividade com sua torcida, com o claro objetivo de penetração, fidelização e, por conseguinte, valorização da marca do clube”,
Elitização?
Essa visão empresariada do futebol foi alvo de debates no 2º fórum Time de Arquitetos da Copa, realizado em 2009, em Salvador. No encontro, um dos arquitetos defendeu a visão de que o futebol brasileiro deverá passar por um processo de elitização, com ingressos cada vez mais caros e instalações progressivamente mais sofisticadas, como ocorre na Europa. "O torcedor de baixa renda vai assistir aos jogos pela televisão", sentenciou.
Seguiram-se minutos e minutos de debates sobre o papel do futebol entre as classes de baixa renda e seu direito de participar diretamente do espetáculo, ao vivo. Por fim, concluiu-se que sempre deverá haver uma parte da arquibancada com ingressos mais baratos, destinados ao público de menor renda.
“Ainda não é possível avaliar se a modernização dos estádios irá excluir ou não determinado público. Porém, no futebol, também é necessária e mandatória a recuperação do investimento, como ocorre em qualquer atividade ou segmento, e isso exigirá esforços econômicos maiores ou menores, dependendo do poder aquisitivo do cliente/torcedor”, afirma Verardi.
O Atlético possui 24 mil sócios ativos, que geram R$ 20 milhões anuais. O diretor de marketing ressalta que a próxima etapa a ser atingida é a busca de novas modalidades de associação ou interação com o clube.
O economista Nelson Ribeiro ressalta que essa nova realidade é percebida em grandes clubes da Europa e que, nas Américas, isso fica mais evidente em dois clubes, o River Plate, de Buenos Aires, e o Internacional de Porto Alegre. O time gaúcho ostenta o maior número de associados da América e está entre os dez maiores do mundo.
“Os mais de 103 mil sócios estão recebendo toda espécie de informação sobre o clube, uma demonstração de transparência nas negociações, e participam de promoções e eventos semanais, visitas ao clube, viagens com atletas e conversas com os dirigentes”, diz Ribeiro.
Mesmo adequando-se às inovações, o futebol brasileiro ainda está aquém das principais potências europeias. O Brasil é uma fábrica de talentos, que são negociados com valores cada vez mais altos para clubes com maior poder econômico. São estruturas já consolidadas com quadros associativos completos, jogos vendidos para vários países e contratos vantajosos para os jogadores. “Somente com adequação econômica o futebol brasileiro poderá começar a pensar em competir com esse mercado”, diz Ribeiro.
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Texto originalmente publicado no portal
http://www.copa2014.org.br/ em 18/02/2010
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Copa pode gerar 46 mil vagas em turismo no Paraná, estima entidade
Número corresponde a aumento de 50% das vagas em hotelaria, gastronomia e comércio
Felipe Rosa
O grande fluxo de turistas que circularão no Brasil durante a Copa 2014 exigirá uma preparação à altura das 12 cidades-sede. Mas para o vice-prefeito de Curitiba e membro do comitê da Copa paranaense, Luciano Ducci, não basta uma preparação focada apenas na competição. Para ele, o evento abre novas oportunidades de investimento e criação de empregos que devem ser aproveitados como legado para Curitiba.
Dados da Associação Comercial do Paraná (ACP) apontam para a criação de 46 mil empregos no setor hoteleiro, gastronômico e comercial até 2014 em função da Copa do Mundo, um crescimento de 50%. O comércio do Paraná emprega atualmente 80 mil pessoas, enquanto bares, restaurantes e hotéis somam 12 mil vagas.
Nas projeções da ACP, o aumento das vagas virá acompanhado da abertura de aproximadamente 100 bares e restaurantes e de dois mil leitos em hospedagens. “Isso dependerá de fatores econômicos, mas é esperado um aumento em torno de 15% (na abertura de estabelecimentos)”, diz Paulo Roberto Brunel Rodrigues, presidente da ACP e membro do comitê da Copa de Curitiba.
Para dar conta da expansão, um dos principais desafios será a qualificação dos setores que fornecem os serviços essenciais para atender os turistas durante a Copa. “O turismo é composto de diversos setores, inclusive segurança e infraestrutura, e precisamos que todos se alinhem num mesmo propósito”, diz Marco Antônio de Oliveira Fatuch, presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e similares de Curitiba (Sindotel-Ctba).
Qualificação profissional
E isso inclui também a qualificação dos quadros da prefeitura de Curitiba, que já oferece cursos de inglês para os funcionários e pretende abrir novas vagas. “Ao todo já são mais de três mil inscritos”, diz Ducci.
No mesmo caminho está a ACP. Segundo o presidente da associação, já existe uma maior oferta de cursos de idiomas e informática para todos os segmentos do comércio. Funcionários das áreas hoteleiras e gastronômicas também podem usufruir de cursos ofertados aos associados do Sindotel em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac-PR). “Estamos disponibilizando uma grade de cursos bastante ampla, focada na melhor capacitação de nossos profissionais para dar atendimento ao fluxo do turismo internacional”, afirma Fatuch.
Erondi José da Rosa Filho, gerente de uma das mais conceituadas churrascarias da cidade afirma que a principal preocupação do estabelecimento não é o aumento de funcionários, e sim a qualificação desses. O restaurante possui 65 colaboradores e apenas cinco deles têm algum domínio de outro idioma. No entanto, todos estão participando de cursos para estarem aptos a atender ao público da Copa.
A psicóloga e consultora de recursos humanos, Tânia Mara de Góes Furtado, afirma que um grande passo ainda precisa ser dado com relação ao planejamento e execução de ações que visem qualificar os profissionais e torná-los adequados ao perfil exigido, tanto no que se refere à qualidade quanto à quantidade do pessoal empregado. “A maioria dos candidatos ainda não perceberam o potencial desse evento para o aumento da empregabilidade”, afirma.
Favelização
A Copa do Mundo pode trazer benefícios não apenas para as 12 sedes, mas também para as cidades vizinhas. Por outro lado, as oportunidades abertas pelo Mundial podem atrair grande quantidade de migrantes, ampliando os bolsões de miséria e a favelização, segundo José Guilherme Silva Vieira, doutor em economia e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
“Esse movimento geralmente começa antes do evento e se agrava quando muitas das oportunidades de empregos temporários terminam”, diz Vieira.
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Texto originalmente publicado no portal
http://www.copa2014.org.br/ em 22/01/2010
Felipe Rosa
O grande fluxo de turistas que circularão no Brasil durante a Copa 2014 exigirá uma preparação à altura das 12 cidades-sede. Mas para o vice-prefeito de Curitiba e membro do comitê da Copa paranaense, Luciano Ducci, não basta uma preparação focada apenas na competição. Para ele, o evento abre novas oportunidades de investimento e criação de empregos que devem ser aproveitados como legado para Curitiba.
Dados da Associação Comercial do Paraná (ACP) apontam para a criação de 46 mil empregos no setor hoteleiro, gastronômico e comercial até 2014 em função da Copa do Mundo, um crescimento de 50%. O comércio do Paraná emprega atualmente 80 mil pessoas, enquanto bares, restaurantes e hotéis somam 12 mil vagas.
Nas projeções da ACP, o aumento das vagas virá acompanhado da abertura de aproximadamente 100 bares e restaurantes e de dois mil leitos em hospedagens. “Isso dependerá de fatores econômicos, mas é esperado um aumento em torno de 15% (na abertura de estabelecimentos)”, diz Paulo Roberto Brunel Rodrigues, presidente da ACP e membro do comitê da Copa de Curitiba.
Para dar conta da expansão, um dos principais desafios será a qualificação dos setores que fornecem os serviços essenciais para atender os turistas durante a Copa. “O turismo é composto de diversos setores, inclusive segurança e infraestrutura, e precisamos que todos se alinhem num mesmo propósito”, diz Marco Antônio de Oliveira Fatuch, presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e similares de Curitiba (Sindotel-Ctba).
Qualificação profissional
E isso inclui também a qualificação dos quadros da prefeitura de Curitiba, que já oferece cursos de inglês para os funcionários e pretende abrir novas vagas. “Ao todo já são mais de três mil inscritos”, diz Ducci.
No mesmo caminho está a ACP. Segundo o presidente da associação, já existe uma maior oferta de cursos de idiomas e informática para todos os segmentos do comércio. Funcionários das áreas hoteleiras e gastronômicas também podem usufruir de cursos ofertados aos associados do Sindotel em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac-PR). “Estamos disponibilizando uma grade de cursos bastante ampla, focada na melhor capacitação de nossos profissionais para dar atendimento ao fluxo do turismo internacional”, afirma Fatuch.
Erondi José da Rosa Filho, gerente de uma das mais conceituadas churrascarias da cidade afirma que a principal preocupação do estabelecimento não é o aumento de funcionários, e sim a qualificação desses. O restaurante possui 65 colaboradores e apenas cinco deles têm algum domínio de outro idioma. No entanto, todos estão participando de cursos para estarem aptos a atender ao público da Copa.
A psicóloga e consultora de recursos humanos, Tânia Mara de Góes Furtado, afirma que um grande passo ainda precisa ser dado com relação ao planejamento e execução de ações que visem qualificar os profissionais e torná-los adequados ao perfil exigido, tanto no que se refere à qualidade quanto à quantidade do pessoal empregado. “A maioria dos candidatos ainda não perceberam o potencial desse evento para o aumento da empregabilidade”, afirma.
Favelização
A Copa do Mundo pode trazer benefícios não apenas para as 12 sedes, mas também para as cidades vizinhas. Por outro lado, as oportunidades abertas pelo Mundial podem atrair grande quantidade de migrantes, ampliando os bolsões de miséria e a favelização, segundo José Guilherme Silva Vieira, doutor em economia e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
“Esse movimento geralmente começa antes do evento e se agrava quando muitas das oportunidades de empregos temporários terminam”, diz Vieira.
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