A forte chuva que caiu durante a última sexta-feira (18/5) não foi suficiente para desanimar os alunos do Colégio Estadual Artur Miranda Ramos, de Paranaguá-PR, que promoveram várias ações para lembrar o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Integrantes do projeto Navegando nos Direitos, promovido pela Central de Notícias dos Direitos da Infância e Adolescência (Ciranda), os jovens foram até o posto Cupim, na BR-277, para alertar caminhoneiros e pessoas que têm maior contato com o problema sobre a importância de combatê-lo. Os alunos distribuíram panfletos informativos, colaram cartazes nos estabelecimentos e adesivos nos caminhões.
A mobilização se estendeu também ao comércio que fica ao redor do posto, restaurantes, supermercados e lojas. De acordo com o proprietário do Restaurante Thomé, é importante que os jovens saibam da dimensão do problema e que ajudem a erradicá-lo. “Criança não pode ficar na rua. Somente dando educação, esporte e lazer é que eles vão seguir pelo caminho certo”, diz. Para o caminhoneiro Oscar Zacarias Neto, os meninos estão fazendo um trabalho para ajudar jovens com idade igual ou muitas vezes menor que a deles. “Deveriam ser criadas casas para abrigar as jovens que sofrem violência, pois muitas vezes quem as empurra para a exploração é a própria família”, salienta.
Os meninos e meninas falaram com os caminhoneiros sobre a importância de notificar os casos, por meio do disque-denúncia nacional (100) ou do estadual (181). De acordo com os motoristas, muitas pessoas ainda pensam que as vítimas estão naquela situação porque querem e que a família é que deve “educá-las”, não o caminhoneiro. Outra queixa é que muitos deles já tentaram ligar para denunciar, mas alegam que o serviço do disque-denúncia não atendeu.
Além da sensibilização perto da rodovia, alunos do colégio participaram de uma palestra sobre violência sexual, que teve a presença do vereador Alceu Marom Filho, de representantes do Conselho Tutelar e do jovem Jorge Ricardo Pereira, do projeto Navegando nos Direitos. Durante a tarde, os alunos apresentaram para todas as turmas uma peça de teatro que aborda a questão da violência doméstica e sexual, escrita pelo estudante Khelvin Patrick Gomes Rodrigues, de 13 anos. Simultaneamente, os jovens Érica Frizon e Thiago Mendes ministraram oficinas para as turmas. Eles pediram que as crianças expressassem seus sentimentos e dúvidas sobre o assunto por meio de desenhos, que serão entregues a uma psicóloga.
Trabalho de formiguinha
“Antes eu nem via esse tipo de coisa acontecer”, diz Beatriz Marins, de 13 anos, que participa do projeto. De acordo com ela, as pessoas só vão voltar os olhos para a exploração quando realmente forem alertadas sobre a gravidade do problema. “E esse é o meu papel: informar mais e mais, até a exploração acabar”, afirma.
Segundo a professora Elisabete da Graça Urbano da Cruz, as ações deveriam reunir todos os atores sociais, incluindo Conselho Tutelar, Ministério Público, Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, Polícia e Escola, para formar uma verdadeira rede de combate. “Dentro da realidade da nossa cidade, eu acho que essa seria a solução”, salienta. Ela também defende que as ações não aconteçam apenas em datas específicas, mas sim diariamente.
segunda-feira, 21 de maio de 2007
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