Sexta-feira, oito de julho, 17 horas. Frederico chega em casa após mais um dia de trabalho. Se irrita com o porteiro que, mesmo sabendo que ele é o único morador a possuir uma Hilux preta, insiste em conferir a placa para liberar sua entrada. Pega o elevador e após 16 andares chega ao seu apartamento. Abre a porta, coloca seu tablet e sua pasta no sofá, se esparrama e assiste ao finalzinho do capítulo de Lost na TV a cabo.
Aquele dia foi muito exaustivo para ele, academia pela manhã, almoço com os diretores da filial alemã e uma interminável reunião com os principais investidores à tarde. Ele merecia um drinque, wisky 18 anos parecia o mais apropriado para a ocasião.
A noite vai caindo e Fred resolve pedir algo para comer, comida japonesa. Já comera fora a semana toda e hoje escolheu pelo aconchego de sua casa. Mesmo sabendo que não aguentaria comer um barco completo ele pede. Quer aproveitar a promoção de R$ 59, 90 que havia comprado em um site de compras coletivas. A comida chega logo após ele tomar um delicioso banho na sua hidromassagem com os sais que trouxe em sua última passagem por Dubai. Ele come, coloca um Blu ray no seu home theater e relaxa, afinal é sexta-feira.
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Sexta-feira, oito de julho, 17 horas. Tião acaba de bater seu ponto na firma. Junto com alguns colegas ele aguarda o ônibus.
O coletivo chega e em meio a empurrões e cotoveladas ele consegue entrar. Mesmo apertado e praticamente sem ar, Tião faz piada da situação. Afinal, com tanta gente aglomerada não é preciso segurar. Seu único medo é de lhe roubarem o dinheiro que está no bolso, os R$ 540 que recebera por um mês de serviços prestados.
Duas horas depois ele chega em casa, as crianças correm ao portão para recebê-lo. Exceto o Wellinton que está de cama com dengue.
Tião chega, deixa a marmita vazia em cima da pia e senta-se no sofá para assistir o Datena. Enquanto assiste começa a fazer as contas:
230 reais para pagar a conta do armazém, 25 para a água, 49 para a luz, e 150 para o aluguel. Este mês ainda teve a despesa dos remédios do menino que, mesmo com o desconto da farmácia do governo, saiu 38 reais.
Ele pega um papel e um lápis e começa a somar. Após cinco tentativas ele finaliza a conta: R$ 492.
Contente, Tião sorri e grita: Muié, manda os menino compra vina e um refri que esse mês sobrou uns trocado.
Toma um banho, veste uma camisa que ganhou na época das eleições. Senta-se à mesa e sente-se um rei. Estufa o peito e na sua camisa a frase: BRASIL – UM PAÍS DE TODOS.
segunda-feira, 25 de julho de 2011
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Um comentário:
Que legal...ta parecendo com muitos brasileirinhos conformados e agradecidos por poderem ainda pagarem suas contas...e o mais difícil sorrir...
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