Número corresponde a aumento de 50% das vagas em hotelaria, gastronomia e comércio
Felipe Rosa
O grande fluxo de turistas que circularão no Brasil durante a Copa 2014 exigirá uma preparação à altura das 12 cidades-sede. Mas para o vice-prefeito de Curitiba e membro do comitê da Copa paranaense, Luciano Ducci, não basta uma preparação focada apenas na competição. Para ele, o evento abre novas oportunidades de investimento e criação de empregos que devem ser aproveitados como legado para Curitiba.
Dados da Associação Comercial do Paraná (ACP) apontam para a criação de 46 mil empregos no setor hoteleiro, gastronômico e comercial até 2014 em função da Copa do Mundo, um crescimento de 50%. O comércio do Paraná emprega atualmente 80 mil pessoas, enquanto bares, restaurantes e hotéis somam 12 mil vagas.
Nas projeções da ACP, o aumento das vagas virá acompanhado da abertura de aproximadamente 100 bares e restaurantes e de dois mil leitos em hospedagens. “Isso dependerá de fatores econômicos, mas é esperado um aumento em torno de 15% (na abertura de estabelecimentos)”, diz Paulo Roberto Brunel Rodrigues, presidente da ACP e membro do comitê da Copa de Curitiba.
Para dar conta da expansão, um dos principais desafios será a qualificação dos setores que fornecem os serviços essenciais para atender os turistas durante a Copa. “O turismo é composto de diversos setores, inclusive segurança e infraestrutura, e precisamos que todos se alinhem num mesmo propósito”, diz Marco Antônio de Oliveira Fatuch, presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e similares de Curitiba (Sindotel-Ctba).
Qualificação profissional
E isso inclui também a qualificação dos quadros da prefeitura de Curitiba, que já oferece cursos de inglês para os funcionários e pretende abrir novas vagas. “Ao todo já são mais de três mil inscritos”, diz Ducci.
No mesmo caminho está a ACP. Segundo o presidente da associação, já existe uma maior oferta de cursos de idiomas e informática para todos os segmentos do comércio. Funcionários das áreas hoteleiras e gastronômicas também podem usufruir de cursos ofertados aos associados do Sindotel em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac-PR). “Estamos disponibilizando uma grade de cursos bastante ampla, focada na melhor capacitação de nossos profissionais para dar atendimento ao fluxo do turismo internacional”, afirma Fatuch.
Erondi José da Rosa Filho, gerente de uma das mais conceituadas churrascarias da cidade afirma que a principal preocupação do estabelecimento não é o aumento de funcionários, e sim a qualificação desses. O restaurante possui 65 colaboradores e apenas cinco deles têm algum domínio de outro idioma. No entanto, todos estão participando de cursos para estarem aptos a atender ao público da Copa.
A psicóloga e consultora de recursos humanos, Tânia Mara de Góes Furtado, afirma que um grande passo ainda precisa ser dado com relação ao planejamento e execução de ações que visem qualificar os profissionais e torná-los adequados ao perfil exigido, tanto no que se refere à qualidade quanto à quantidade do pessoal empregado. “A maioria dos candidatos ainda não perceberam o potencial desse evento para o aumento da empregabilidade”, afirma.
Favelização
A Copa do Mundo pode trazer benefícios não apenas para as 12 sedes, mas também para as cidades vizinhas. Por outro lado, as oportunidades abertas pelo Mundial podem atrair grande quantidade de migrantes, ampliando os bolsões de miséria e a favelização, segundo José Guilherme Silva Vieira, doutor em economia e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
“Esse movimento geralmente começa antes do evento e se agrava quando muitas das oportunidades de empregos temporários terminam”, diz Vieira.
-------------------------------------------------------------------------------------------------
Texto originalmente publicado no portal
http://www.copa2014.org.br/ em 22/01/2010
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário