quinta-feira, 22 de junho de 2006

Curitiba ganha Frente Parlamentar em Defesa da Infância

Felipe Rosa

Conselheiros tutelares de Curitiba, vereadores e outros profissionais ligados à criança e ao adolescente oficializaram ontem (21/6), na Câmara Municipal, a Frente Parlamentar em Defesa da Infância. No local, foram discutidas as principais dificuldades enfrentadas pelos conselheiros e definidos os objetivos a serem alcançados. Os conselheiros citaram o artigo 4º do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) * e afirmaram que precisam ser representados na sociedade. Para isso, enfocaram a importância de criar políticas públicas. De acordo com os conselheiros, o maior problema enfrentado atualmente em todas as regionais de Curitiba é a falta de vaga em escolas e creches, tanto no Ensino Fundamental quanto no Ensino Médio. Encontrar vagas em escolas para crianças com deficiência também é um empecilho para o trabalho. Ainda citando o ECA, eles são unânimes em dizer que os direitos da criança e do adolescente são hoje violados pelo poder público. Somente na regional do Boqueirão, este ano 1.575 famílias já solicitaram auxílio, pois não conseguem vagas em creches e escolas.

Essa deficiência de vagas, a não aceitação do aluno que é “muito velho” para estudar nas séries onde estão inseridos ou ainda a precariedade de atividades de contraturno nas escolas foram apontados como caminhos praticamente certeiros para o envolvimento com as drogas. De acordo com a presidente da Associação dos Conselheiros Tutelares de Curitiba, Jussara da Silva Gouveia, é fundamental um maior investimento em educação popular. Para os pais saberem educar seu filhos, ela diz que é necessário fazer um trabalho com a família das crianças. “Não adianta tratar o menino ou menina evolvido com a droga e deixar o seu ambiente familiar igual a quando ele saiu dele. As chances de recaída de um ex-usuário de drogas é muito grande e quando isso acontece o papel da família é fundamental para ajudar que ele não volte para esse caminho”, diz. Para a conselheira da regional Boqueirão Viviane Aparecida de Lara Matos, as pessoas não têm conhecimento do poder e da abrangência que o Conselho Tutelar possui e, por isso, muitas vezes deixam de procurá-lo quando percebem um pequeno problema com a criança ou adolescente. “Quando se dão conta, o problema já é muito maior”.

De acordo com o vereador André Passos, os membros da Frente estarão intransigentes e firmes na luta para melhorias na situação da criança e nas condições de trabalho dos conselheiros. Os relatos dos conselheiros foram registrados e ficou decido que a educação será o primeiro item a ser priorizado.

* Art. 4º - É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária.
Parágrafo único. A garantia de prioridade compreende:
a) primazia de receber proteção e socorro em quaisquer circunstâncias;

b) precedência de atendimento nos serviços públicos ou de relevância pública;

c) preferência na formulação e na execução das políticas sociais públicas;

d) destinação privilegiada de recursos públicos nas áreas relacionadas com a proteção à infância e à juventude

Um comentário:

Neia disse...

Olá fio...td bem....legal essa matéria e concordo plenamente com td que vc escreveu, que pena que as vezes fica só no papel...quem pode fazer algo não se interessem em melhorias nas comunidades, afinal são as comunidades que colocam eles lá no Planalto né...